Ponderações

Não te demores

Onde não puderes amar, não te demores. A frase de Augusto Branco funcionou como um soco no seu estômago, havia semanas ou meses – a sua noção de tempo estava mais confusa do que de costume – que ela estava tentando entender o porque daquele desfecho. E aquela era a resposta: ele não podia ama-la, mas havia se demorado por tempo demais.

Ter de lidar com essa conclusão não é nada fácil e saber que foi conivente de alguma maneira, pois afinal de contas topou esperar até que as coisas se “ajeitassem”, também doía bastante. Ela que adorava falar, contar, discutir, debater, ficou por dias calada, digerindo tudo aquilo, tentando concatenar as ideias, buscando responder a pergunta de 1 milhão: porque ela havia deixado que ele se demorasse tanto?

Provavelmente era aquilo que mais a incomodava, repassava toda a história em sua cabeça, os bons momentos e os maus momentos, constatava que nunca houve aquilo que ela queria, ou desejava, mas ainda assim ela ficou ali, parada, esperando por uma mudança mágica, como aquelas que só existem nas telas da ficção. O tempo fez com que ela se perdoasse pela falta de cuidado que teve com ela mesma, pela demora e falta de coragem em assumir que aquilo não a estava fazendo feliz, pelo engano, pela mediocridade, pela vergonha.

No processo de recuperação ela decidiu usar a frase do escritor Augusto Branco, mas da sua maneira, e mandou fazer um quadrinho que foi devidamente pendurado na parede do seu quarto, para que ela lesse todos os dias: Onde não estiveres sendo amada o suficiente, não te demores.

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