Ponderações, Sem categoria

Minha travessia

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. Fernando Pessoa escreveu lindamente sobre os rompimentos que, por vezes, precisamos promover em nossas vidas, sobre as travessias necessárias

De repente me vi a beira de uma dessas travessias impossíveis de ignorar, dessas em que é preciso despir até a alma. Nada fácil, nem simples, mas absolutamente necessária. O caminho percorrido até ali não fazia mais o menor sentido então era preciso respirar, seguir, abandonar e atravessar.

Entre o que precisava ficar para trás estava esse blog, essa personagem, os escritos e o que isso representava…Era só o que faltava para colocar o pé com segurança em outro terreno e definitivamente deixar vir o novo.

Dilema doído, como deve ser todo dilema, mas quase que instintivamente fui deixando de entrar aqui, as últimas foram tão sofridas que me fizeram perder a vontade de continuar e fui deixando morrer o último elo que era a ligação com um tempo que não existe mais.

Ciclo encerrado, vem então a boa sensação causada pelo bendito tempo e pelo saudável distanciamento. Coisa boa que é  poder olhar para uma história de longe, sem estar envolvida até a raiz, tudo ganha uma nova perspectiva e aí, desse lugar, pude ver que gosto muito de escrever e que não queria abrir mão disso em meu novo caminho, só não podia fazer mais da mesma maneira – até porque não havia mais sentido.

Decidi então que nesse novo “trajeto” a escrita continuará sendo minha deliciosa companhia mas, de agora em diante, será sem personagem, sem símbolo, ou qualquer outra coisa que não seja eu. Faço isso para que esse novo trecho do meu caminho seja sem truques, jogos ou encenações….

Ana Paula Z Feitosa

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