Ponderações, Sem categoria

A paciência nossa de cada dia

Paciência nunca figurou entre as minhas virtudes. Eu simplesmente não tinha paciência de  esperar nada, nem ninguém, meu tempo era sempre acelerado. Já fui um verdadeiro coelho da Alice correndo e gritando: É tarde, é tarde, tenho pressa, tenho pressa!! Até hoje nem eu mesma sei do que ou porque!

Entre as muitas benesses do tempo para mim foi ver a paciência timidamente dando as caras, começando a fazer parte da jornada. Ela não chegou tão cedo e nem tão fácil, como hoje eu gostaria que tivesse sido, mas o importante é que hoje ela faz um pouco mais parte da rotina – e  tenho consciência que sua presença tem que se intensificar.

Houveram muitos momentos em que tive que aceitar que a falta de paciência acarretou em angustia, péssima decisão e sofrimento, mas aí a culpa era do outro, dos astros, da minha tia avó, mas não minha, então nenhuma mudança acontecia.

Me lembro exatamente quando foi que a falta de paciência causou algo que fez tudo começar a mudar. Eu, esse coelho correndo com o relógio de bolso na mão, tive um filho que é a calma em forma de gente. Eu 78 RPM e ele 45 RPM ou 33… O fato é que não me dei conta de que eu simplesmente cobrava dele o meu ritmo o meu tempo. Obviamente não via mal nenhum nisso, esse era o natural para mim.

Vivia dizendo Luís corre, coloca sapato rápido, vai logo pegar o brinquedo, e aquela criança me olhava com uma cara de  interrogação. Até que um dia uma pessoa que respeito muito me disse: Você não tem paciência com o tempo do seu filho, mas precisa ter. Fiquei dias remoendo aquelas palavras e repassando minhas atitudes, confrontando minha falta de paciência, que doído.

Dali para frente comecei a me observar e respirar a cada vez que tinha ímpeto de pedir para que alguém decidisse, corresse, fosse logo, bem rápido, e  não só com meu filho, pois vi que não era só com ele que fazia isso. Minha falta de paciência era com minhas relações, meus amigos, família, era inclusive comigo, aliás o tempo todo comigo – faz logo, faz direito, faz rápido, decide, não erra!!

Foi fácil? Não, não foi não e ainda não é, mas sei que exige treino, como quase tudo na vida. Então hoje, quando erro, assim que começo a bufar, paro e repito para mim mesma: paciência minha filha, você só é humana e sigo até o próximo tropeção – pacientemente.

Ana Paula Z Feitosa

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1 Comment

  1. Lilian

    26/01/2016 at 00:05

    Amei esse texto!!!!!

    Assim que temos que encarar a vida, com um pouco mais de paciência sempre!

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