Ponderações

Lições aprendidas

Ela viva as turras com ele, o culpava pela constante confusão e desorganização em sua vida. Acreditava que se ele fosse mais generoso, mais compreensivo, que se ele se esticasse um pouquinho mais, tudo que ela queria caberia dentro dele e assim sua vida seria mais fácil.

Foram anos de briga e tentativa de indisposição, mas ela brigava sozinha, pois ele continuava fluindo, seguindo seu ritmo –  que era o mesmo desde o começo de tudo. Ele, um senhor maduro, com o conhecimento da eternidade olhava para ela com ternura, com uma quase pena, e pacientemente esperava o momento em que ela entenderia que deveria caminhar no seu compasso – ela no dele e nunca ele no dela, pois assim é.

Cansada de tanto correr, de tanto tentar imprimir o seu ritmo, ela parou, exausta, e o encarou frente:

– Entendi que não posso brigar com você, que tentei durante todos esses anos comandá-lo, que não procurei ser sua amiga, competi com você, fiz de tudo para que você me servisse e só gastei energia. Tenho percebido que coloquei em todos os meus dias um pouco de mágoas do passado, com um tanto de ansiedade do futuro e foi ai que eu mais desperdicei você.

– Te peço desculpas meu amigo e te garanto que de hoje em diante vou caminhar no seu ritmo, vivendo um dia após o outro, colocando dentro de cada um deles aquilo que for possível, saboreando as delicias de cada momento, respeitando a mim e os que estão a minha volta, pois é isso que seu compasso nos ensina. Você apaga, você eterniza, você amadurece, você afasta, você cura, você reaproxima, você ensina.

– Obrigada Tempo!

E ela voltou à sua jornada, com passos mais tranquilos, observando melhor cada pedaço da caminhada, com tempo de viver.

Ana Paula Z. Feitosa

 

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