Ponderações

Os sinais

Eu observo os sinais como nunca havia observado, a vida é cheia deles. Não sei exatamente de onde eles vêm, se é a própria vida a falar conosco, nossos anjos, a fonte, o criador, realmente não sei, mas há algo que nos envia sinais.

Eles vem em forma de coincidência, sincronicidade, encontros, desencontros, esbarrões, enganos, palavras, gestos. Vale música tocando no rádio, texto de revista antiga ou compartilhado pela tia no Facebook, mas é certo que eles vêm.

Nem todos os sinais são para todos os ouvidos ou para todos os olhos, um elefante já apareceu dançando na frente de um rapaz e ele não percebeu, enquanto o pouso de uma libélula significou tudo para uma moça, que agradeceu emocionada. Não depende dos sinais depende do receptor, é preciso estar atento.

Vi há cerca de um mês, pela internet, um encontro na California sobre assuntos tecnológicos e negócios concientes (Wisdom 2.0). A abertura foi feita por monges budistas tibetanos que criaram, em areia colorida, a mandala para o Budha da Compaixão Avalokiteśvara, ao final a mandala foi desmanchada para lembrar sobre a impermanência de tudo.

mandala0261

Aquilo mexeu tanto comigo, nem eu soube direito o porque, mas aos poucos a ficha foi caindo. Apesar de todas as mudanças nos últimos capítulos da minha vida a impermanência ainda é um assunto que me causa um certo desconforto – mesmo com o conforto que sinto em meu atual capitulo, ainda me pego olhando muito para trás, para toda a areia que foi revolvida e desmanchada.

Na última semana um post em meu Facebook me chamou a atenção, teria aqui no Brasil a construção de uma mandala de areia para a inauguração da Tibet House (um ponto para encontros, palestras e mostras sobre a cultura tibetana). Fui me informar de quando e onde seria e para minha surpresa o lugar fica a 20 passos do meu trabalho e a data era o dia seguinte. A mandala seria construída em uma semana, aberta todos os dias para visitação.

Fui até lá e ainda estava fechado, mas me inscrevi para uma palestra do Lama Losang Samten – que veio ao Brasil para construir a mandala do Buda da Medicina. Me encantei com sua fala mansa e suas explicações sobre a mandala e mais históriassobre o Tibet. Durante a semana não só eu, mas toda a turma da agência foi lá acompanhar a obra, feita com todo o cuidado e dedicação, para ser desmanchada em poucos dias.

Nós conversamos um pouquinho todo dia com o Lama , perguntávamos sobre a mandala e ele nos perguntavas coisas simples como: o que vocês almoçaram hoje? Mal sabia ele que almoçávamos voando só para ir lá espiar seu trabalho e ouvir sua fala tranquila. Ouvimos dele todos os dias sobre paciência, sobre compaixão, sobre paixão, a importância das relações. Era lindo ver tanta generosidade, nós chegávamos, um pequeno grupo, e ele parava com suas areias para nos falar com alegria.

No último dia pedimos a ele para tirar um foto conosco, ele tirou e pediu para ver a foto, olhou um tempo para ela, fechou os olhos como quando fazia antes de nos dar a lição do dia e disse: “quando vocês olharem para essa foto pensem em paixão, vocês devem ter paixão em todas as relações de vocês, com o marido, a mulher, os pais, família, os amigos, colegas de trabalho. Tenham nas relações de vocês paciência, tenham sempre paciência. E tenham fé, tenham muita fé.”  A conversa continuou um pouquinho mas estávamos todos muito emocionados com suas palavras, foi uma tarde diferente.

No dia seguinte fui até a Tibet House para ver a mandala de areia ser desmanchada, numa cerimônia muito simples e linda, onde ele explicou os elementos da mandala, que depois começou a ser empurrada para o centro, ao som do mantra Teyata, cada pessoa empurrava um pedaço daquela areia colorida e dava lugar a outra pessoa para que ela fizesse o mesmo.Eu assisti a tudo muito emocionada e sai de lá com um punhadinho de areia colorida e muita gratidão por ter percebido mais esse sinal. Dessa vez ele se apresentou quase como um elefante dançando a minha frente, e veio responder as minhas questões sobre as tantas mudanças pelas quais venho passando – apenas deixar tudo ir embora, sem me preocupar com o que passou, não tentar saber o que vem lá adiante, apenas ir construindo o agora, o presente, sempre com amor, paciência, delicadeza e fé, grãozinho por grãozinho. No final tudo há de se transformar em um lindo desenho… e se for preciso, façamos tudo novamente.

Ana Paula Z Feitosa

mandala

Acho que você gostaria de ler também...

Deixe seu comentário